quarta-feira, 4 de setembro de 2013

03 DE SETEMBRO DE 2013
África atrai cada vez mais empresas brasileiras
Banco Comercial na Etiópia, em Addis Abeba.
Banco Comercial na Etiópia, em Addis Abeba.
Wikipedia
Lúcia Müzell
Assim como as empresas europeias e até asiáticas, as multinacionais brasileiras também estão cada vez mais atraídas a se instalar no continente africano. A mão de obra barata, as infraestrutura em desenvolvimento e a estabilização política de países como Gana, Etiópia e Nigéria, além dos lusófonos Moçambique e Angola, despertam a atenção dos empresários.
Isso foi o que mostrou um estudo da Fundação Dom Cabral, especializada em negócios. No ano passado, por exemplo, as empresas brasileiras que se expandiram para o exterior foram todas para quatro países africanos. E 6,5% delas escolhem o continente africano para abrir a sua primeira franquia, semelhante ao índice da Europa, de 8%.
Nos últimos anos, a elevação dos custos de mão de obra da China tem levado até os chineses a deslocar a produção para a África, uma alternativa que, pouco a pouco, também sido escolhida pelos europeus. Os brasileiros ainda não entraram no setor de manufaturas, mas grandes construtoras, mineradoras e empresas de tecnologia tentam aproveitar o bom momento do continente para fazer negócios, como explica Sherban Cretoiu, coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da FDC. Sherban destaca que a atuação do governo brasileiro, que promoveu uma grande aproximação do país com a África nos últimos 10 anos, favorece essa nova relação comercial que está se desenvolvendo.
Até pouco tempo atrás, o baixíssimo custo de produção levava as multinacionais a produzir na China, mas com a elevação dos salários no gigante asiático, agora os próprios chineses também deslocam a produção para a África. Porém o sistema de trabalho que se encontra por lá é bastante diferente, como destaca Jean-Joseph Boillot, especialista em economias emergentes do Centro de Estudos Prospectivos e de Informações Internacionais, em Paris.
“Aquela ideia de formigas asiáticas, de 50 mil pessoas trabalhando sem parar em uma usina, em tarefas meticulosas e com uma grande disciplina, não tem na África”, afirma. “As empresas que se implantam na África são obrigadas a se adaptar a uma outra lógica de trabalho. Os africanos, por exemplo, são muito sensíveis às injustiças. Não conseguiríamos implantar lá as condições de exploração que vemos na Ásia.”
Para Boillot, alguns países africanos podem ser as novas potências emergentes do futuro, com uma demanda crescente por produtos e serviços que começa a surgir junto com uma classe média. “Isso não quer dizer que a África está decolando ou que haverá novos Brics rapidamente. É preciso duas ou três décadas antes que apareçam verdadeiros países emergentes no sentido realmente profundo”, observa. “E isso apesar de haver países como a Etiópia ou a Nigéria, que pela massa populacional ou pelos predicados dos seus dirigentes no mundo dos negócios e político, poderiam entrar nesta via e virar, daqui a 20 ou 30 anos, países emergentes poderosos.”
 

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