Policial se passou por jornalista, diz repórter detido em protesto no RJ
Um dos repórteres do grupo Mídia Ninja detidos na noite de segunda-feira durante oprotesto contra a visita do papa Francisco ao Rio de Janeiro afirmou nesta terça-feira, em sua página no Facebook, que foi abordado por um policial que se passava por um jornalista. Filipe Peçanha, conhecido como Carioca, denunciou que foi agredido pelos policiais e detido "sem acusação formal".
"Uma mão segura forte meu braço. Um homem alto, de óculos, com uma camisa clara fala: 'Me da uma entrevista? Quero pegar um depoimento seu'. Achando estranho, pergunto: 'Qual seu nome, pra que veículo?'. Ele não responde", relatou o repórter. Segundo Peçanha, o policial à paisana falava ao celular enquanto o abordava por volta das 20h30, e levou-o à força até a presença de um policial fardado.
"Ele pede para que eu abra a mochila. Revista, pede meu documento. Não acha nada de suspeito ou ilegal. Ainda assim, me avisa que serei encaminhado para a delegacia. 'Averiguação', diz ele." O repórter teve o celular confiscado e levado a uma viatura da polícia, que foi cercada por "centenas de pessoas", de acordo com o relato de Peçanha.
Na delegacia, três advogados destacados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acompanhar o protesto se apresentaram para defender o caso. A detenção de Peçanha e de seu colega causou comoção nas redes sociais e motivou um protesto em frente à 9ª DP, para onde os repórteres foram levados. "Ei polícia, solta a Mídia Ninja!", gritavam os manifestantes, segundo Peçanha. Após prestar depoimento, o repórter foi liberado.
Por fim, o jornalista reafirmou seu engajamento na cobertura dos protestos. "A fusão entre a rede e a rua se mostrou mais clara. Eles tentaram derrubar nossa transmissão ao deter um, dois, três ninjas. Mas eles não entenderam que não é uma câmera, um repórter... é uma rede. Podem até derrubar um. E assim surgem outros 1.000", disse Peçanha.
O Terra entrou em contato com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, que até as 13h40 não havia se posicionado oficialmente sobre as acusações do repórter.
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