terça-feira, 23 de julho de 2013


Trinta milhões de meninas correm o risco de sofrer mutilação genitalPesquisa do Unicef mostra que 125 milhões de mulheres foram submetidas à prática, que tem tendência em queda

Publicação: 23/07/2013 00:12 Atualização: 23/07/2013 08:37

Cirurgiã tradicional segura lâminas usadas para ritual tradicional em adolescentes em tribo de Uganda  (James Akena/REUTERS - 15/12/08)
Cirurgiã tradicional segura lâminas usadas para ritual tradicional em adolescentes em tribo de Uganda

Nova York
 – Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) traça um diagnóstico sobre a prática de mutilação genital em crianças no mundo e faz uma previsão sombria. Mais de 125 milhões de meninas e mulheres foram submetidas à mutilação genital e 30 milhões de outras garotas correm o risco de passar por essa situação na próxima década. A tradição envolve a remoção de parte ou de toda a genitália externa feminina. O procedimento pode incluir o corte do clitóris e, em alguns casos, a costura dos lábios vaginais.

O documento abrange 20 anos de informações de 29 países da África e do Oriente Médio e aponta que há um conflito entre a opinião das pessoas e o peso da tradição, agravado pela falta de discussão sobre a questão. A prática, segundo o relatório, está em queda, mas continua quase universal em alguns países. As leis não são suficientes para acabar totalmente com a prática e mais pessoas precisam se manifestar para eliminar a tradição entre certos grupos étnicos e comunidades. De acordo com o Unicef, a aceitação social é a razão mais citada para a continuação da prática, embora seja considerada uma violação aos direitos humanos. "O apoio geral da prática está em queda", disse o relatório.

O texto diz que “a mutilação está se tornando menos comum em pouco mais da metade dos 29 países pesquisados. Porém, a tradição continua notavelmente persistente, apesar de quase um século de tentativas de eliminá-la”. Caso a tendência persista, “30 milhões de meninas correm o risco de serem mutiladas na próxima década”.

O ritual é praticado por várias crenças, incluindo cristãos, muçulmanos e seguidores de religiões africanas tradicionais. Para alguns, o procedimento melhora as expectativas de casamento da jovem e torna o órgão sexual feminino mais agradável esteticamente. O relatório descobriu as taxas mais altas de mutilação feminina na Somália, onde 98% das jovens e mulheres entre 15 e 49 anos foram mutiladas, seguida pela Guiné (96%), o Djibuti (93%) e o Egito (91%). A prevalência da mutilação genital entre adolescentes caiu pela metade no Benim, na República Centro-Africana, Iraque, Libéria e Nigéria.

Em algumas partes de Gana, 60% das mulheres na faixa dos 40 anos sofreram a mutilação, contra 16% das adolescentes. Em Togo, por sua vez, 28% das mulheres mais velhas foram mutiladas, enquanto 3% das garotas na faixa dos 15 aos 19 anos passaram pelo procedimento. Porém, não houve queda em países como Chade, Gâmbia, Mali, Senegal, Sudão e Iêmen, segundo o relatório. 

"As normas e expectativas sociais dentro das comunidades de indivíduos que pensam da mesma maneira desempenham um papel importante na perpetuação da prática. O desafio agora é deixar garotas e mulheres, rapazes e homens falarem alto e claro, anunciando que querem o fim dessa prática nociva", disse Rao Gupta, vice-diretor-executivo do Unicef. No ano passado, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução para intensificar os esforços globais para eliminar a mutilação genital feminina.

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