Sete meses depois...07/09/2013 | 01h31
Sobreviventes do incêndio na boate Kiss esperam por cirurgia em Santa Maria
Vítimas do incêndio travam batalha contra a burocracia, que adia os tratamentos de saúde
Lizie Antonello
Mais de sete meses depois de terem enfrentado a maior tragédia gaúcha, o incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro, alguns sobreviventes ainda travam batalhas com a burocracia para conseguir alguns atendimentos na área da saúde.
Pelo menos dois pacientes tentam cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) há meses. Muitas vítimas reclamam que não conseguem medicamentos gratuitos. Um grupo de queimados sofre a cada viagem para medição de malhas porque o serviço só é oferecido em Porto Alegre.
Mas algumas queixas vêm dos próprios profissionais do Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidente (Ciava) montado no Hospital Universitário (Husm) para atender os pacientes: faltam equipamentos e materiais permanentes.
Gustavo Cadore, 32 anos, perdeu o controle dos movimentos no dedo mínimo da mão esquerda devido às queimaduras. O jovem teme que o problema se agrave, pois já afeta outro dedo. Ele precisa fazer um procedimento com cirurgião plástico para imobilizar o dedo atingido. Desde que teve alta da UTI, no final de fevereiro, ele passou por diversos médicos, foi encaminhado de um hospital para outro na Capital, e nada. Na última quinta-feira, um telefonema do Hospital Cristo Redentor, referência para os queimados na Kiss, renovou as esperanças do jovem. Uma consulta foi agendada com especialista para o próximo dia 15, na Capital.
- A expectativa é que, desta vez, eu consiga a cirurgia - disse sorrindo Gustavo, em meio a uma sessão de fisioterapia no Husm.
- A expectativa é que, desta vez, eu consiga a cirurgia - disse sorrindo Gustavo, em meio a uma sessão de fisioterapia no Husm.
Lauro rompeu ligamentos do joelho e ainda não fez operaçãoOutro paciente que luta por uma cirurgia é Lauro Jocenir Farias dos Santos, 38 anos. Ele precisa de uma intervenção porque rompeu ligamentos no joelho esquerdo. O procedimento pode ser feito no Husm. O problema é que, como se trata de uma cirurgia eletiva (não se trata de uma emergência), ele entrou na longa fila de espera do SUS.
- O governo federal disse que daria prioridade para os feridos na Kiss, mas já se passaram sete meses, e eu não tive a cirurgia - lamentou.
- O governo federal disse que daria prioridade para os feridos na Kiss, mas já se passaram sete meses, e eu não tive a cirurgia - lamentou.
O vice-diretor do Husm, Arnaldo Teixeira Rodrigues, disse que Lauro será reavaliado para verificar a urgência da cirurgia.
Dois encontros marcados para os próximos dias 27 e 28 vão reunir representantes da saúde dos governos federal, estadual e municipal e do Husm, em Santa Maria, para revisar protocolos de atendimento de vítimas da tragédia. A ideia é adequar protocolos às necessidades dos pacientes.
Também faltam equipamentosUma das queixas sobre o atendimento de sobreviventes do incêndio na Kiss parte dos próprios profissionais que atuam no Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidente (Ciava), montado no Husm.
Segundo a fisioterapeuta Ana Lucia Servi Prado, faltam equipamentos e materiais permanentes, como esteiras, oxímetros e manovacuômetros (que avaliam a respiração dos pacientes) e nebulizadores, entre outros, para atender a todos os pacientes.
- Estamos usando, para uma rotina anormal, os equipamentos que já tínhamos.
Não recebemos reforço. Também não tivemos substituição para um psicólogo que saiu. Ele nos ajudava até na abordagem dos pacientes - disse Ana Lucia.
- Estamos usando, para uma rotina anormal, os equipamentos que já tínhamos.
Não recebemos reforço. Também não tivemos substituição para um psicólogo que saiu. Ele nos ajudava até na abordagem dos pacientes - disse Ana Lucia.
Segundo a direção do Husm, foi necessário fazer uma licitação para comprar os equipamentos, e também aparelhos para exames de pneumologia e para o laboratório que mede os gases no sangue. Alguns já foram entregues pelas empresas vencedoras, outros, ainda não. Isso acabou atrasando os atendimentos.
- Temos de seguir os trâmites dos serviços públicos. São determinações legais que não podemos deixar de cumprir, sob pena de sermos responsabilizados - informou o vice-diretor do hospital, Arnaldo Teixeira Rodrigues.
- Temos de seguir os trâmites dos serviços públicos. São determinações legais que não podemos deixar de cumprir, sob pena de sermos responsabilizados - informou o vice-diretor do hospital, Arnaldo Teixeira Rodrigues.
Kelen Geovana Leite Ferreira, 20 anos, estudante de Terapia Ocupacional da UFSM, é uma das quase mil usuárias do Ciava. Ela faz fisioterapia de segunda a sexta-feira no local e diz que a equipe "é nota 10".
Mas nem todos os usuários são tão assíduos como Kelen. Segundo o Ciava, em média, 50% dos pacientes agendados não vão às consultas. Na tarde de quinta-feira, quando o Diário acompanhou os atendimentos, dos oito marcados, apenas três compareceram.
AS "DORES"Alguns sobreviventes reclamam das dificuldades de conseguir remédios pelo SUS e das viagens que precisam fazer a Porto Alegre por causa das queimaduras. Confira o que diz a 4ª Coordenadoria Regional de Saúde sobre as questões:
Falta de medicamentos
- A 4ª Coordenadoria Regional de Saúde tem 50 processos com pedidos de medicamentos, entre atendidos e em andamento. As solicitações são enviadas a Porto Alegre com observação de urgência, entram no sistema da Secretaria de Saúde do Estado e, se houver estoque, os remédios são enviados à 4ª CRS em cerca de 20 dias. Depois, todos os meses, o usuário tem de ligar para a farmácia da 4ª CRS, pelo (55) 3222-2929, checar se o medicamento chegou e ir buscá-lo
- 42 medicamentos solicitados foram obtidos pela 4ª CRS, e os usuários não foram retirá-los n 3 remédios que os sobreviventes não estão conseguindo gratuitamente (escitalopran, pantoprazol e tramal) não constam na lista do SUS. A 4ª CRS está em tratativa para consegui-los
- Clonazepan, quetiaquina, midazolan, forazeq e digestil podem ser retirados na 4ª CRS
- Alguns remédios como omeprazol e clonazepan podem ser encontrados na farmácia da prefeitura
- Outros medicamentos como busonid é disponibilizado gratuitamente em farmácias que tem o programa Aqui Tem Farmácia Popular
- Está sendo discutida a possibilidade de o Estado repassar o dinheiro para a compra de medicamentos para o Ciava, que ficaria responsável por comprar e distribuir os remédios
- Os atendimentos são discutidos em reuniões quinzenais, com a presença dos setores envolvidos e da Associação dos Familiares e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria (AVTSM)
- A 4ª Coordenadoria Regional de Saúde tem 50 processos com pedidos de medicamentos, entre atendidos e em andamento. As solicitações são enviadas a Porto Alegre com observação de urgência, entram no sistema da Secretaria de Saúde do Estado e, se houver estoque, os remédios são enviados à 4ª CRS em cerca de 20 dias. Depois, todos os meses, o usuário tem de ligar para a farmácia da 4ª CRS, pelo (55) 3222-2929, checar se o medicamento chegou e ir buscá-lo
- 42 medicamentos solicitados foram obtidos pela 4ª CRS, e os usuários não foram retirá-los n 3 remédios que os sobreviventes não estão conseguindo gratuitamente (escitalopran, pantoprazol e tramal) não constam na lista do SUS. A 4ª CRS está em tratativa para consegui-los
- Clonazepan, quetiaquina, midazolan, forazeq e digestil podem ser retirados na 4ª CRS
- Alguns remédios como omeprazol e clonazepan podem ser encontrados na farmácia da prefeitura
- Outros medicamentos como busonid é disponibilizado gratuitamente em farmácias que tem o programa Aqui Tem Farmácia Popular
- Está sendo discutida a possibilidade de o Estado repassar o dinheiro para a compra de medicamentos para o Ciava, que ficaria responsável por comprar e distribuir os remédios
- Os atendimentos são discutidos em reuniões quinzenais, com a presença dos setores envolvidos e da Associação dos Familiares e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria (AVTSM)
Medição de malhas em Porto Alegre
- O hospital de referência no tratamento de queimados é o Cristo Redentor, em Porto Alegre
- Está sendo avaliada a possibilidade que um profissional venha da Capital para fazer o serviço aqui em Santa Maria
- O assunto será discutido em reuniões que estão agendadas para os dias 27 e 28 de setembro, em Santa Maria, com representantes da saúde municipal, estadual e federal
- O hospital de referência no tratamento de queimados é o Cristo Redentor, em Porto Alegre
- Está sendo avaliada a possibilidade que um profissional venha da Capital para fazer o serviço aqui em Santa Maria
- O assunto será discutido em reuniões que estão agendadas para os dias 27 e 28 de setembro, em Santa Maria, com representantes da saúde municipal, estadual e federal
Nenhum comentário:
Postar um comentário