terça-feira, 3 de dezembro de 2013

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Croácia rejeita casamento 'gay' em referendo

A decisão foi acolhida sem surpresa, num país onde a Igreja Católica detém uma forte influência e é valor de identidade nacional.
João Xará
 
Mulher empunha um cartaz onde se lê "Contra a homofobia", numa 'manif' realizada em Zagreb na véspera do referendo que viria a rejeitar o casamento homossexual
Mulher empunha um cartaz onde se lê "Contra a homofobia", numa 'manif' realizada em Zagreb na véspera do referendo que viria a rejeitar o casamento homossexual
ANTONIO BAT/EPA
A Croácia aprovou em referendo uma emenda constitucional que proíbe o casamento homossexual. Dois terços dos croatas decidiram ontem manter apenas legalizadas as uniões heterossexuais.

"Acredita que o casamento deve ser apenas definido entre um homem e mulher?" foi a pergunta que os croatas tiveram de considerar em referendo. Cerca de 65% responderam afirmativamente à emenda constitucional proposta pela oposição conservadora, que veta assim o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Para o líder do HDZ, o maior partido conservador da direita, Tomislav Karamarko, "infelizmente somos obrigados a conferir na Constituição algo que é natural", disse, citado pela Associated Press.

A votação foi acolhida sem surpresa, num país onde a Igreja Católica detém uma forte influência (90% dos croatas) e é valor de identidade nacional. A proposta da oposição conservadora foi apoiada por uma petição da Igreja Católica, que recolheu cerca de 750 mil assinaturas em apoio à emenda.

O primeiro-ministro social-democrata Zoran Milanovic, que votou a favor do casamento homossexual, lamentou que o país tenha sido arrastado para um "referendo triste e aberrante" e espera que este tenha sido a última vez que a Croácia foi obrigada a tomar uma posição sobre este tipo de matérias.

No dia anterior ao da votação, centenas de liberais ativistas croatas saíram para às ruas de Zagreb, invocando a discriminação e o desrespeito pela defesa dos Direitos Humanos.

A Croácia, membro da União Europeia desde julho, adotou em 2003 uma lei que conferia alguns direitos aos casais do mesmo sexo que vivessem juntos há pelo menos três anos. A alteração legislativa continha a igualdade na herança e apoio financeiro, mas excluía a adoção.

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