terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ex-vice-reitor do Fundão condenado por pedofilia

Luís Mendes, de 37 anos, foi condenado a prisão por abusar de menores que estavam à sua guarda no Seminário do Fundão.
Hugo Franco
 
O Tribunal do Fundão condenou hoje a 10 anos de prisão o padre Luís Mendes, ex-vice reitor do Seminário do Fundão, que estava acusado de 19 crimes de abuso sexual de menores.
O julgamento começou no dia 19 de setembro e decorreu à porta fechada para proteger as vítimas menores, mas a leitura do acórdão, que ocorre quase um ano depois de o padre ter sido detido - a 07 de dezembro de 2012 - já foi pública.
O arguido encontra-se em prisão domiciliária desde o dia em que foi detido. Inicialmente, foi para casa dos pais em S. Romão (localidade do concelho de Seia, de onde é natural) e mais tarde foi transferido para uma casa da Diocese da Guarda.
Todos os factos foram relatados e confirmados por cinco menores, com idades entre os 11 e 17 anos de idade. Os crimes terão ocorrido entre 2007 e 2008. As crianças eram surpreendidas enquanto dormiam nas camaratas do seminário e aí eram abusados sexualmente. Segundo a acusação, as relações sexuais nunca chegaram a ser consumadas. Mas os menores eram convencidos a praticarem sexo oral e a masturbarem o pároco.

Durante a julgamento, o sacerdote admitiu que se deitava com os jovens na cama, debaixo dos lençóis, para os confortar e por estarem afastados da família. A justificação do pároco era que fazia aquilo que "um pai faz a um filho".

A investigação foi realizada pela Polícia Judiciária (PJ) da Guarda, sob a coordenação de Gil de Carvalho. Foi conduzida em tempo recorde, por ser um caso de abusos sexuais e as vítimas menores de idade.
No dia das denúncias, no início de dezembro do ano passado, alguns inspetores da PJ foram ao seminário do Fundão tentar falar com o padre Luís Mendes. Alegadamente o suspeito estaria "doente", embora só tenha ido ao hospital após a visita da PJ. No dia seguinte, a PJ entrou no seminário, já com um mandado de detenção.
Ainda no ano passado, durante a Eucaristia de Natal na Igreja da Memória, em Lisboa, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira apelou à tolerância para com o padre agora condenado.
O padre Luís Miguel Campos Mendes, de 37 anos, era vice-reitor do Seminário Menor do Fundão, desde outubro de 2012. Sempre negou as acusações. Natural de São Romão, Seia, foi ordenado sacerdote católico a 1 de julho de 2001: foi colocado na Paróquia de Celorico da Beira. Em 2003, passou a fazer parte da equipa educadora do Seminário Menor do Fundão, onde residia até à sua detenção.
Paralelamente a este caso, o Diap de Lisboa investigou várias queixas de pedofilia alegadamente praticadas por padres, denunciadas pela Rede de Cuidadores, de Catalina Pestana e Álvaro Carvalho. Mas os casos foram arquivados pouco tempo depois.

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