atualizado às 17h58

Escola: mãe dizia que suspeito de matar família tinha poucos anos de vida

Marcelo, 13 anos, sofria de uma doença degenerativa que afetava seu aparelho respiratório Foto: Facebook / Reprodução
Marcelo, 13 anos, sofria de uma doença degenerativa que afetava seu aparelho respiratório
Foto: Facebook / Reprodução
A escola onde estudava Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, suspeito de matar a família e depois cometer suicídio na casa onde moravam, em São Paulo, divulgou nota nesta quarta-feira em que se manifesta incrédula com os fatos imputados ao adolescente. Segundo o Colégio Stella Rodrigues, Marcelo era um "garoto dócil e alegre" e tinha um bom relacionamento com colegas e professores. A instituição ressaltou, porém, que a mãe de Marcelo, a cabo da PM Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos, havia mencionado que seu filho teria poucos anos de vida em razão da fibrose pulmonar, doença degenerativa que afetava o aparelho respiratório do jovem.
"O aluno Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini foi matriculado no colégio aos 5 anos de idade no ano de 2006. No ato de sua matrícula, a mãe mencionou à diretora do colégio que estava entregando em suas mãos a sua maior preciosidade, relatando que o menor sofria de uma doença degenerativa e que talvez não tivesse expectativa de vida além dos 18 anos", afirmou a instituição de ensino, em nota.
Tudo leva a crer que garoto matou os pais, diz delegadoClique no link para iniciar o vídeo
Tudo leva a crer que garoto matou os pais, diz delegado
"O Marcelo, desde o início de sua trajetória escolar, sempre alcançou um bom rendimento pedagógico, apresentando comportamento e atitudes normais", disse o colégio, que também elogiou a postura da cabo Andreia e do pai de Marcelo, o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, que também morreu na chacina. "Quanto aos pais, sempre foram participativos, atuantes e presentes em todas as atividades relacionadas à escola/família/aluno, acompanhando sempre de perto seu desenvolvimento pedagógico e pessoal", diz o texto.
Segundo a escola, durante a aula de segunda-feira pela manhã, "Marcelo se comportou normalmente como sempre, participando de todas as atividades propostas e com o mesmo jeitinho carinhoso com seus professores e funcionários em geral, não apresentando qualquer tipo de comportamento anormal". Segundo investigações preliminares do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcelo teria ido à escola no período entre as mortes de sua família e o seu suicídio. "O que aconteceu, aconteceu fora do ambiente escolar. É incompreensível a imputação do fato ao aluno, até mesmo pela personalidade que este apresentava dentro da instituição de ensino. Não houve indícios que anunciasse nenhuma tragédia", afirma a escola.
Por fim, o colégio garante que contratou profissionais especializados em situações como esta, para preparar os professores e funcionários "na orientação para o acolhimento dos nossos alunos e seus familiares no retorno às atividades escolares". "Neste momento de profunda tristeza, o Colégio e seus colaboradores estão realizando importante trabalho de orientação, acolhimento e conforto aos alunos. Por ora e até a finalização do inquérito policial, não nos pronunciaremos mais a respeito do caso a fim de colaborar com o andamento das investigações", conclui a nota.
Cinco são encontrados mortos dentro de casa de PMs em SP
Chacina de família desafia polícia em São Paulo
Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas na noite de segunda-feira, dia 5 de agosto, dentro da casa onde moravam, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Entre os mortos, estavam dois policiais militares - o sargento Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e a mulher dele, a cabo de Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos. O filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, também foi encontrado morto, assim como a mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos.
A investigação descartou que o crime tenha sido um ataque de criminosos aos dois PMs e passou a considerar a hipótese de uma tragédia familiar: o garoto teria atirado nos pais, na avó e na tia-avó e cometido suicídio. A teoria foi reforçada pelas imagens das câmeras de segurança da escola onde Marcelo estudava: o adolescente teria matado a família entre a noite de domingo e as primeiras horas de segunda-feira, ido até a escola com o carro da mãe, passado a noite no veículo, assistido à aula na manhã de segunda e se matado ao retornar para casa.
Os vídeos gravados pelas câmeras mostraram o carro de Andreia sendo estacionado em frente ao colégio por volta da 1h15 da madrugada de segunda-feira. Porém, a pessoa que estava dentro do veículo só desembarcou às 6h30 da manhã. O indivíduo usava uma mochila e tinha altura compatível à do menino: ele saiu do carro e caminhou em direção à escola.
Após chacina em SP, relembre casos de filhos suspeitos de matar pais
Terra