quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um goleiro que adora fazer gols no Flamengo

  • Lauro repete lance pela Portuguesa em que também empatou a partida da Ponte Preta contra os rubro-negros em 2003
  • Jogador prefere se destacar como goleiro do que como cabeceador
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PAULO CELSO PEREIRA (EMAIL · FACEBOOK · TWITTER)
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BRASÍLIA. Exatos dez anos e quatro dias separaram dois lances quase idênticos: um escanteio no último minuto de jogo, uma cobrança na direção da marca do pênalti e a consagração de goleiro cabeceador, que empata um jogo que a torcida do Flamengo já contabilizava como vitória. O protagonista das duas cenas é o mesmo: Lauro Júnior Batista da Cruz, hoje com 32 anos. O lance que deixou o gosto de derrota nas bocas rubro-negras começou a ser pensado no início da semana, após a derrota da Portuguesa para o Vitória, no Barradão.
— No último jogo, teve um lance aos 46 minutos do segundo tempo e fiquei olhando o treinador para ver se ele permitia que eu fosse para a área ou não. Aí eu acabei atrasando e quando cheguei lá, o escanteio já tinha sido batido. Então, durante a semana o treinador me passou que, se tivesse uma situação neste jogo, eu poderia ir para área — conta o goleiro, responsável por marcar os dois gols que deram o empate para seus times, a Ponte Preta e Portuguesa, contra o Flamengo.
Lauro diz que antes mesmo do início da partida de ontem, lembrou-se do aniversário de dez anos do gol quase idêntico que havia marcado quando ainda atuava pela Ponte Preta. Segundo ele, as semelhanças entre os lances que deram origem ao escanteio fizeram passar um filme em sua cabeça.
— No aquecimento, eu estava lembrando que completava dez anos que eu tinha feito o gol contra o Flamengo atuando pela Ponte. O lance que originou o escanteio foi muito semelhante, então veio um filme na cabeça: o zagueiro tentou tirar a bola e furou, a bola saiu para escanteio. Quando fui na área imaginei que poderia fazer o gol, porque sempre fico observando onde é que o Souza enfia a bola, onde ele bate o escanteio. Me posicionei ali, tive a felicidade de cabecear e a bola entrar no gol. Fico muito feliz —festeja o goleiro.
Natural de Andradina, no interior de São Paulo, Lauro não é um obcecado por subir à área adversária no fim das partidas. Os dois gols contra o Flamengo foram os únicos de sua carreira e ele não pretende fazer das cabeçadas uma prática habitual.
— O importante é saber o momento da partida. Ali era o lance final, nos acréscimos. Existe uma hierarquia no nosso time, e o treinador permitindo eu posso ir. Mas não espero que isso vire uma rotina, prefiro estar me destacando na minha posição de goleiro — explica, ressaltando que nunca treinou para esse tipo de jogada. — É tudo ou nada.
A carreira de Lauro é marcada por altos e baixos. Depois de passar pela Ponte Preta no início da década passada, Lauro foi contratado pelo Cruzeiro, mas pouco jogou. Entre 2008 e 2010, conquistou espaço como titular do Internacional. Nas últimas temporadas, no entanto, não foi aproveitado e voltou a ser emprestado, primeiro para a Ponte Preta, no ano passado, e agora para a Portuguesa. Hoje, a preocupação do goleiro é conseguir manter-se jogando em alto nível para garantir uma posição em alguma equipe na próxima temporada.
— Estou por empréstimo até o final deste ano e tenho contrato com o Inter até o fim de 2014. Estou procurando fazer meu trabalho para no final do ano ter a oportunidade de renovar com a Portuguesa ou trilhar meu caminho em outro clube, já que no Inter eu não estou sendo aproveitado — explica.

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