Antes das semifinais, sem saber ainda se enfrentaria sua ex-equipe na final, Mourinho alfinetou Cristiano Ronaldo, em uma entrevista: 'Eu dirigi o Ronaldo verdadeiro, o brasileiro', afirmou o treinador, exagerando sua importância na época em que trabalhou com o Fenômeno no Barcelona, na temporada 1996/97, quando era apenas intérprete e auxiliar do técnico Bobby Robson. Fustigado pela mídia espanhola, o Ronaldo português foi educado: 'Não cuspo no prato em que comi', disse o gajo.
A verdadeira resposta ele iria dar com o pés, no Sun Life Stadium, em Miami. A vitória começou a ser construída pelo parceiro do atacante, o lateral Marcelo, que entrou pedalando na área e chutou rasteiro para abrir o placar, aos 14 minutos de jogo. Outro brasileiro, o volante Ramires, empatou para o Chelsea dois minutos depois, aproveitando falha da defesa do Real e encobrindo Casillas com um toque sutil.
O show de Cristiano Ronaldo começou aos 19, com um chute rente à trave do goleiro Peter Cech. Aos 25, tentou de voleio, mas o chute foi desviado. Na terceira chance, aos 31, uma cobrança de falta perfeita colocou o Real de novo na frente. Nos acréscimos, Marcelo evitou um gol de Lampard.
O Chelsea melhorou no segundo tempo, e logo aos dois minutos Casillas precisou se esticar para impedir o gol de Hazard. Depois, foi a vez do zagueiro Ivanovic parar no goleiro do Real. Mourinho parecia ter encontrado a fórmula para anular seu ex-time. Só não conseguiu parar seu desafeto. Aos 12, Isco cruzou com perfeição para Cristiano Ronaldo marcar de cabeça, dando fim à pressão inglesa. Dez minutos depois, um torcedor invadiu o campo e reverenciou o dono do jogo com um abraço. Não é louvável enaltecer invasões no gramado, mas no fim a imagem serviu para resumir a noite. Cristiano Ronaldo pode não ser melhor que o Fenômeno, mas Mourinho ganhou uma lição para aprender a não mexer com um craque. Com a bola nos pés, e em bom português.
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