sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Cabral desiste de demolir Célio de Barros e diz que concessão do Maracanã está 'em suspenso'

  • Consórcio estuda possibilidade de devolver o Maracanã
  • Parque Aquático Júlio de Lamare também será mantido
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CAROLINA DE OLIVEIRA CASTRO (EMAIL · FACEBOOK · TWITTER)
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O estádio Célio de Barros em janeiro de 2013, fechado por conta da reforma do Maracanã e transformado em canteiro de obras gigante Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
O estádio Célio de Barros em janeiro de 2013, fechado por conta da reforma do Maracanã e transformado em canteiro de obras gigante Alexandre Cassiano / Agência O Globo
RIO - O governo do estado desistiu de demolir o Estádio de Atletismo Célio de Barros, no complexo esportivo do Maracanã. A informação foi dada na manhã desta sexta-feira pelo governador Sérgio Cabral, após reunião no Palácio Guanabara com o secretário de Estado de Esporte e Lazer, André Lazaroni, e o presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (Farj), Carlos Alberto Lancetta. Na semana passada o governo já tinha recuado também da ideia de derrubar o Parque Aquático Júlio de Lamare. Os dois dariam lugar a prédios no projeto do novo Maracanã, conforme tinha sido acertado com o consórcio formado para participar da licitação de concessão, composto pelas empresas Odebrecht, IMX e AEG.
- Daremos 20 dias para o consórcio estudar as mudanças. Hoje, (a concessão do Maracanã) está em suspenso - disse Cabral, deixando no ar a possibilidade de o Maracanã sere devolvido ao estado.
- Continuo acreditando que a gente fez um modelo de PPP (Parceria Público-Privada) que era o ideal e deixaria o Maracanã mais confortável talvez para todo mundo. Mas diante do pedido do Iphan para não demolir e da Justiça também para não demolir, e de todos os apelos dos atletas, optamos por manter o Célio de Barros - acrescentou o governador.
O presidente do Complexo Maracanã S.A., que administra o estádio, João Borba, disse que o consórcio vai analisar a situação e ver como fica o novo plano de negócios, agora que o projeto mudou, com a manutenção do Célio de Barros e do Júlio de Lamare. Borba ficou surpreso com a decisão.
- Fui pego de surpresa. Não contava com essa possibilidade e agora vamos precisar refazer as contas e os estudos para ver se o Maracanã é possível de ser mantido. Em 20 dias, vamos dar uma resposta ao governador - afirmou Borba.
Em nota divulgada na tarde desta sexta-feira, o consórcio Maracanã S.A. disse que está analisando o novo cenário.
"Conforme acordado com o poder concedente, em 20 dias, apresentará alternativa para viabilização e continuidade da concessão, assegurando que os equipamentos do Complexo Maracanã possam ter garantidos os investimentos para a manutenção e modernização permanente. A concessionária mantém ainda o compromisso de aprimorar sua operação para oferecer segurança e conforto aos torcedores e visitantes desses importantes patrimônios públicos do Rio de Janeiro".
Também em nota oficial, o Fluminense, que assinou um contrato com o consórcio para jogar no Maracanã pelos próximos 35 anos, informou que vai aguardar os acontecimentos para se pronunciar.
"Em relação às notícias sobre o possível cancelamento da concessão do Maracanã, o Fluminense Football Club esclarece que, até o momento, não recebeu nenhuma posição oficial do Complexo Maracanã Entretenimento S.A. O clube entende que o contrato estabelecido com o consórcio é seguro, tem garantias e, por este motivo, seguirá seu planejamento normalmente. Passado hipótese, o Fluminense Football Club pode se pronunciar sobre o caso".
Por mais que o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) permitisse a derrubada do Célio de Barros e do Júlio de Lamare, não seria permitido a construção de dois prédios na região. O projeto original previa a construção de dois edifícios-garagem que gerariam um lucro de R$ 19 milhões quando ficassem prontos em 2016.
O presidente da federação de atletismo elogiou a decisão sobre o Célio de Barros. Ele ficou emocionado com o desfecho do caso, pois considera o estádio um patrimônio do esporte no país.
- Fico satisfeito com a decisão. Apesar de o estado ter proposto um equipamento mais moderno, o Célio de Barros sempre teve um valor histórico para o atletismo. Os atletas queriam que ele fosse mantido - disse Lancetta.

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